A pior aldeia de Portugal de Jean-Pierre Martinez

A pior aldeia de Portugal es una comédia de Jean-Pierre Martinez para 10.

Alguns sobreviventes de uma aldeia moribunda, esquecida por Deus e cercada por uma autoestrada, decidem inventar um evento para atrair curiosos. Mas não é fácil transformar a pior aldeia de Portugal num destino turístico da moda.

Titulo original : Le pire village de France 

Tradução de Jean-Pierre Martinez

Elenco : 9 o 10 personagens.

Peça postada online em maio de 2015
Peça criada em Plaine Haute – Saint Meen, em 30 de janeiro de 2016

Traduções da obra
espagnol : El pueblo más cutre de españa (tradução de Jean-Pierre Martinez)
inglês : The Worst Village in England  (tradução de Anne-Christine Gasc)
italiano : Il peggior paese d’Italia  (tradução de Jean-Pierre Martinez

Da farsa ao mito: a mentira coletiva como último recurso para reconstruir uma comunidade

A pior aldeia de Portugal transforma o desaparecimento anunciado de uma comunidade numa empresa de ficção coletiva. Privados, pouco a pouco, das suas instituições e de qualquer perspetiva comum, os habitantes inventam um acontecimento capaz de lhes devolver visibilidade. Uma falsa morte, uma ressurreição e um milagre mediático transformam João Carlos, figura marginal da aldeia, num herói capaz de reunir todos. A mentira deixa, assim, de servir apenas para enganar: torna-se o último recurso de um grupo que já não encontra outra razão para agir em conjunto senão através de uma narrativa partilhada.

O grande número de personagens, a sua circulação constante em palco e o congelador colocado no centro do cenário conferem a esta metamorfose uma dimensão claramente coletiva e visual. A farsa revela os interesses particulares, a corrupção e o oportunismo dos habitantes, mas a encenação construída em conjunto acaba, apesar de tudo, por produzir um novo mito. A aldeia não é reformada nem moralmente regenerada; ainda assim, recupera um nome, uma história e a possibilidade de um futuro. A sátira da sociedade do espetáculo transforma-se assim também numa reflexão sobre o poder fundador da ficção: quando a realidade já não basta para criar comunidade, uma narrativa aceite por todos pode ainda permitir reconstruí-la.

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