Flagrante delírio de Jean-Pierre Martinez

Um cadáver numa sauna e uma história de plágio. O Comissário Carvalho está encarregado de uma investigação que parece conduzir a um assunto de Estado. A menos que tudo isso seja apenas teatro…
Título original em francês : Flagrant délire
Tradução pelo próprio autor
Reparto : 6 personagens (Todos os papéis podem ser interpretados por homens ou mulheres)
Obra escrita em outubro de 2015.
Obra criada em Saint Martin Longueau, em 4 de agosto de 2016.
Tradução para o espanhol do autor: Flagrante delirio
Tradução para o inglês do autor: In flagrante delirium
Tradução para o Italiano do autor : Flagrante delirio
Tradução para o Alemão : Die Wahn-Wache (Guy Sagnes)
A investigação impossível ou a pequena fábrica da impostura social
Flagrante delírio vai buscar ao género policial a investigação, os suspeitos e as revelações para desregular metodicamente a sua lógica. Cada indício, em vez de reduzir a incerteza, gera uma nova falsificação: cadáveres, identidades, provas e qualificações revelam-se intercambiáveis. A acumulação burlesca conduz assim da paródia policial a uma dúvida muito mais vertiginosa. À medida que o caso avança, já não são apenas as personagens que parecem suspeitas, mas a própria realidade em que afirmam agir.
O falso, porém, não surge como uma desordem que ameaça as instituições, mas como um dos meios de que estas dispõem para preservar a sua autoridade. A celebridade substitui o talento, os títulos substituem a competência e a fabricação de um culpado substitui a verdade judicial. Assim que a investigação ameaça os poderosos, resolver o caso passa a significar impor-lhe uma versão aceitável dos acontecimentos. A mise en abyme final transforma então a esquadra num palco e as funções sociais em papéis: por detrás do pastiche policial, a peça revela um mundo em que a ordem assenta numa ficção coletivamente mantida.
Montagens
Francia, Burkina Faso, Germania


